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Fronteira

Retatrutida: resultado “nível cirurgia” sem cirurgia?

Os números que viraram manchete — e o outro lado que o hype esquece de contar.

Blog Bellu6 min de leitura

Quando um remédio mostra perda de peso parecida com a de uma cirurgia bariátrica, o assunto viraliza. Foi o que aconteceu com a retatrutida. Vale entender os dois lados.

O que é a retatrutida

É um agonista “triplo”: ativa três receptores ao mesmo tempo (GLP-1, GIP e glucagon). É a geração seguinte na corrida das moléculas — e ainda está em estudo.

Os números da fase 2

Os resultados chamaram atenção do mundo todo.

24,2%Em estudo de fase 2 de 48 semanas, a retatrutida na dose mais alta levou a uma perda média de 24,2% do peso. Entre 36% e 48% dos participantes perderam 25% ou mais — patamar de cirurgia. E 72% dos que tinham pré-diabetes voltaram a ter açúcar normal.Retatrutida, fase 2 — New England Journal of Medicine, 2023

O outro lado que o hype esquece

Efeitos gastrointestinais foram frequentes (entre 73% e 94% dos participantes), com cerca de 13% de descontinuação por eventos adversos, e houve aumento de frequência cardíaca dependente da dose (que teve pico por volta da semana 24 e depois recuou). E, principalmente: ainda está em fase 3 — não está aprovada nem disponível.

O que esperar

A retatrutida é promissora, mas não é uma opção de hoje. E números de estudo são médias: a resposta individual varia. Como sempre, o que vale para o seu caso é o que uma avaliação médica indica — não a manchete.

Resumo rápido

  • Retatrutida é um agonista triplo (GLP-1, GIP, glucagon), ainda em estudo.
  • Fase 2: ~24% de perda média; muitos perderam ≥25% (nível de cirurgia).
  • Efeitos gastrointestinais frequentes e aumento de frequência cardíaca dose-dependente.
  • Ainda em fase 3 — não disponível. Números são médias; o seu caso é individual.
Este conteúdo é informativo e educativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Medicamentos da classe GLP-1 têm indicações, contraindicações e possíveis efeitos, são vendidos sob prescrição médica e só devem ser usados após avaliação e acompanhamento. Resultados variam de pessoa para pessoa e os dados de estudos clínicos citados referem-se às populações estudadas, não a um resultado individual garantido.

Isso vale para o seu caso?

A única forma de saber se o GLP-1 é indicado para você é uma avaliação médica. Leva poucos minutos e é 100% online.

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